Renata Vasques
Vamos ao método. Como vocês construíram essa visão de margem por cliente? Porque muita indústria diz que tem isso e, na prática, tem rateio contábil.
Carolina Menezes
Nós tínhamos rateio, exatamente. Rateio é uma média que esconde a verdade. Passamos noventa dias medindo custo real de servir: setup de máquina por pedido, lote mínimo, frete, prazo, devolução, retrabalho e, principalmente, tempo de gente. Contratos pequenos com muitas trocas de ferramenta consumiam capacidade de forma desproporcional. Quando você aloca isso corretamente, um cliente que parecia dar dez por cento de margem dá menos três.
Renata Vasques
E o que você fez com esses clientes de margem negativa? Cortou?
Carolina Menezes
Não de imediato. Dividimos em três grupos. O primeiro era corrigível por preço: fomos conversar, mostramos a conta aberta e renegociamos. Uns setenta por cento aceitaram algum reajuste. O segundo era corrigível por operação: mudança de lote, de janela de entrega, de embalagem. O terceiro, cerca de doze por cento da carteira, era estruturalmente incompatível com a nossa fábrica. Esses nós encerramos ao longo de doze meses, com aviso, com prazo e ajudando a encontrar fornecedor alternativo. Sair bem importa: o mercado é pequeno e a sua reputação te alcança.