Renata Vasques
Diego, quando se fala em fábrica digital, a imagem que vem é robô e investimento milionário. A sua história é o contrário. Por onde vocês começaram?
Diego Almeida
Começamos com sensor de vibração de duzentos reais em oito motores críticos e uma planilha. Sério. A pergunta que a diretoria fazia era: por que paramos tanto? E ninguém sabia responder com dado, só com opinião. Antes de comprar sistema, a gente precisava de fato. Em seis semanas de coleta já dava para ver que dois equipamentos respondiam por quase metade das horas paradas, e nenhum dos dois era o que o time apontava como vilão.
Renata Vasques
Esse é um ponto importante. A percepção do time estava errada?
Diego Almeida
Estava enviesada, que é diferente. O time lembrava das paradas dramáticas, as que exigiam quatro horas de conserto e muita adrenalina. Mas o que matava a produção eram microparadas de sete, oito minutos, várias vezes ao dia, que ninguém registrava porque não davam trabalho. Somadas, eram trezentas horas por ano. É o clássico: o que dói pouco e sempre custa mais do que o que dói muito e raramente.