Renata Vasques
Fala em números. Qual é o custo real, recorrente, de manter a companhia aberta, além do custo pontual da oferta?
Ricardo Amorim Filho
O custo recorrente anual, somando auditoria externa robusta, área de relação com investidores, taxa de bolsa, custo de conformidade regulatória e seguro de responsabilidade de administrador, ficou em torno de sete milhões de reais por ano para o nosso porte de empresa. Isso é significativamente maior do que quando éramos companhia fechada, quando gastávamos cerca de um milhão e meio de reais com auditoria mais simples e nenhuma dessas outras linhas. A diferença de cinco milhões e meio de reais por ano só se justifica se o acesso a capital mais barato e a liquidez para os sócios compensarem esse custo, e isso precisa ser calculado antes da decisão, não descoberto depois.
Renata Vasques
E como vocês calcularam se essa conta compensava, antes de decidir abrir capital?
Ricardo Amorim Filho
Comparamos o custo de capital que pagávamos em dívida bancária, que rondava CDI mais quatro vírgula cinco pontos percentuais, com o custo de capital projetado pós-oferta considerando o novo mix entre dívida mais barata, por causa do rating melhorado, e capital próprio. A conta fechou favorável, com uma economia estimada de custo de capital que superava o custo recorrente de ser aberta em cerca de dois anos e meio. Se essa economia fosse menor, ou se a empresa não tivesse plano de captação relevante nos anos seguintes, eu teria recomendado não abrir capital.